
Artigo de viagem sobre o Peru com guia essencial para a tua visita e preços reais. Descobre quando ir, o que ver e dicas úteis.
Há viagens que se fazem para conhecer um lugar e outras que acabam por se transformar numa verdadeira aventura. A nossa viagem ao Peru foi precisamente assim. Em 14 dias percorremos alguns dos cenários mais extraordinários do país, desde a costa do Pacífico até às montanhas dos Andes e à floresta tropical, numa viagem que nos levou a conhecer Lima, Cusco, Machu Picchu, Arequipa, o Lago Titicaca e a Amazónia peruana.
Neste guia reunimos o nosso roteiro pelo Peru em 14 dias, exatamente com o percurso que fizemos, para que possas perceber como organizámos a viagem, quanto tempo dedicámos a cada lugar e quais foram as experiências que mais nos surpreenderam. Ao longo do artigo encontrarás também informação prática sobre transportes, alojamento, alimentação, dinheiro, segurança e altitude — um tema particularmente importante numa viagem pelo Peru.
Se estás a preparar uma viagem e procuras um roteiro Peru 14 dias, este é o ponto de partida para descobrires o país através da nossa experiência. Vais encontrar o nosso percurso dia a dia, os lugares que considerámos imperdíveis e muitas das dicas que gostaríamos de ter connosco antes de embarcarmos nesta aventura pela América do Sul.
Prepara-te: a tua viagem ao Peru começa aqui!
ℹ️ Nota importante
As informações apresentadas em todo o nosso blogue têm por base a nossa experiência de viagem e a informação que estava disponível à data em que preparámos o artigo. Preços, horários, percursos, transportes, requisitos de entrada, regras de visita, condições de acesso e outras informações práticas podem sofrer alterações ao longo do tempo. Por isso, recomendamos que confirmes sempre os dados mais importantes junto das entidades oficiais, companhias aéreas, operadores turísticos ou alojamentos antes da tua viagem. Este artigo pretende ser um ponto de partida baseado na nossa experiência e não substitui a consulta de informação oficial e atualizada.


PASSAPORTE E VISTO
Para um cidadão português, a boa notícia é simples: não é necessário visto para uma viagem turística até 90 dias em cada período de 180 dias, desde que a viagem tenha finalidade turística e não envolva atividades remuneradas. É necessário viajar com passaporte válido por pelo menos 6 meses à data de entrada no Peru. As autoridades peruanas são rigorosas relativamente a este requisito e podem recusar a entrada no país se o passaporte tiver menos de seis meses de validade. Não é suficiente ter o Cartão de Cidadão, uma vez que o Peru não pertence à União Europeia nem ao espaço Schengen.
A regra de entrada deve, naturalmente, ser confirmada antes da partida, porque os requisitos migratórios podem mudar.
COMO CHEGAR
Para quem parte da Europa, Lima é a grande porta de entrada internacional do Peru. O aeroporto Jorge Chávez concentra a esmagadora maioria das ligações internacionais e tem atualmente voos diretos para Madrid, Barcelona, Paris e Amesterdão, entre outros destinos. Para quem parte de Portugal, normalmente será necessário fazer escala. Nós fizemos escala em Toronto e assim, dividimos a viagem, basicamente ao meio, em 2 voos de cerca de 8 horas cada. Voámos com a Lufthansa e Air Canada.
Lima funciona também como o grande ponto de partida para roteiros diversos pelo país, com ligações aéreas para Cusco, Arequipa, Juliaca, Puerto Maldonado, Iquitos e muitas outras cidades. Também poderás viajar para outros destinos de autocarro (sobre isso falaremos mais à frente).



QUANDO IR
Esta é uma das primeiras perguntas que qualquer pessoa faz quando começa a preparar uma viagem ao Peru. E a resposta mais honesta é: depende do Peru que queres conhecer.
O país é enorme e tem três grandes regiões com características muito diferentes — costa, Andes e Amazónia. Por isso, não existe uma única época perfeita para todo o território.
Maio a outubro — a época mais procurada
Se o objetivo principal for conhecer Cusco, o Vale Sagrado, Machu Picchu, o Lago Titicaca e os Andes, esta é, de uma forma geral, a época mais favorável.
É a estação mais seca nos Andes, com muitos dias de céu limpo e melhores condições para caminhadas e visitas ao ar livre. Entre junho e agosto, porém, estamos também no período de maior procura turística, há mais visitantes e os preços podem ser superiores.
E atenção a um pormenor importante, tempo seco não significa necessariamente calor. Nos Andes, os dias podem ser agradáveis, de sol, mas as noites podem ser bastante frias, sobretudo nas zonas mais elevadas.
Novembro a março — a época das chuvas nos Andes
Durante o verão austral, a chuva aumenta significativamente nas regiões andinas. Isso não significa que seja impossível viajar, mas é preciso aceitar a maior probabilidade de chuva, especialmente à tarde, e condições menos previsíveis para algumas atividades ao ar livre.
Janeiro e fevereiro merecem atenção especial para quem pretende fazer trekking. Além de serem meses mais chuvosos, algumas rotas podem sofrer restrições ou encerramentos temporários devido às condições meteorológicas.
Por outro lado, viajar nesta época pode significar menos turistas e, em alguns casos, preços mais baixos.
Os meses de abril e de outubro — os meses de compromisso
Para quem procura um equilíbrio entre clima e quantidade de turistas, abril e outubro podem ser excelentes escolhas.
São meses de transição e podem proporcionar boas condições nos Andes, embora o tempo seja naturalmente menos previsível do que durante o coração da estação seca.
É uma opção interessante para quem quer conhecer o Peru sem necessariamente viajar no pico da temporada.
Clima em Lima
Lima é um caso completamente diferente.
A costa central e sul do Peru tem um clima muito particular: pouca chuva, muita humidade e, durante os meses mais frios, bastante nebulosidade. No verão austral, entre aproximadamente dezembro e março, os dias tendem a ser mais quentes e luminosos, enquanto no inverno a cidade pode apresentar aquele característico céu cinzento conhecido como garúa.
Por isso, se Lima fizer parte de um roteiro que inclui os Andes, não vale a pena escolher a data da viagem apenas pelo clima da capital.
Clima na Amazónia
Aqui a história muda novamente.
A Amazónia peruana é quente e húmida durante todo o ano, com chuva frequente, embora existam diferenças sazonais entre as várias zonas. Em algumas regiões da Amazónia, a estação mais chuvosa ocorre sobretudo entre dezembro e abril, enquanto o período mais seco tende a situar-se entre maio e setembro.
Isto pode influenciar bastante uma viagem de natureza: trilhos, acessos, níveis dos rios e possibilidade de realizar determinadas atividades podem variar conforme a época.




O QUE VISITAR NO PERU: Lugares que não deves perder
O Peru tem uma quantidade enorme de lugares que merecem ser visitados, mas há alguns que, numa primeira viagem, representam particularmente bem a diversidade do país.
Lima é normalmente a porta de entrada e merece mais do que uma passagem apressada. É a grande metrópole peruana, onde história, arquitetura, gastronomia e vida contemporânea se encontram.
Arequipa surpreende pela sua arquitetura construída em pedra vulcânica e pela extraordinária paisagem que a rodeia. É também uma excelente porta de entrada para conhecer o Cañón del Colca e os seus famosos condores que o sobrevoam.
Cusco é muito mais do que o ponto de partida para Machu Picchu. Antiga capital do Império Inca, mistura de forma fascinante a herança inca com a arquitetura colonial e é, para muitos viajantes, uma das cidades mais marcantes do Peru.
O Vale Sagrado revela uma das faces mais impressionantes do mundo andino. Montanhas, vales, terraços agrícolas e antigos centros incas fazem desta região uma viagem por uma paisagem e uma história extraordinárias.
Machu Picchu dispensa apresentações. A antiga cidade inca é, naturalmente, um dos grandes momentos de qualquer primeira viagem ao Peru — mas a experiência começa muito antes de chegarmos às suas famosas ruínas.
O Lago Titicaca leva-nos ainda mais alto, a mais de 3.800 metros. É um lugar onde a paisagem e as comunidades locais se tornam parte fundamental da experiência.
A Amazónia peruana, completamente diferente do Peru dos Andes, é floresta, rios, vida selvagem e uma das maiores biodiversidades do planeta mostram-nos um país que parece mudar completamente de cenário.
Estes são alguns dos grandes clássicos, mas não existe uma única maneira de conhecer o Peru. O melhor roteiro é aquele que consegue conjugar aquilo que sonhamos ver com o tempo que temos, a preparação física e a altitude que estamos preparados para enfrentar.
Nem todos os destinos exigem o mesmo de nós. Lima e Arequipa são relativamente fáceis para o viajante. Cusco já exige mais preparação física se pretende fazer, por exemplo, o trilho Inca, não apenas pela altitude mas também porque muitos dos lugares que se visitam à sua volta implicam caminhadas, escadas e terreno irregular. O Colca, algumas zonas do Vale Sagrado e determinadas experiências nos Andes podem exigir uma condição física razoável. No entanto, em todos estes locais há opções adequadas para cada viajante.
O roteiro e a seleção das atividades/experiências deve, portanto, ser pensado não apenas em função do que queremos ver, mas também daquilo que estamos preparados para fazer.

SAÚDE
Antes de viajar para o Peru, é aconselhável fazer uma consulta do viajante e confirmar se as vacinas de rotina estão atualizadas.
Não é obrigatória nenhuma vacina para entrar no Peru. No entanto, a vacina contra a febre amarela é recomendada para quem pretende visitar zonas de selva, especialmente a Amazónia. Deve ser administrada pelo menos 10 dias antes da viagem.
Também pode ser recomendada, dependendo do tipo e duração da viagem, a vacinação contra hepatite A e B, febre tifoide, tétano e poliomielite.
Nas zonas de selva existe ainda risco de doenças transmitidas por mosquitos, como malária e dengue, pelo que é importante usar repelente, roupa que proteja a pele e, em determinadas regiões, consultar um médico sobre a necessidade de medicação preventiva contra a malária.
Cuidados básicos: bebe preferencialmente água engarrafada ou devidamente tratada, e evita gelo de origem duvidosa. Quanto à comida, a gastronomia é uma das grandes experiências da viagem. Apenas convém ter algum cuidado com alimentos e água quando as condições de higiene são duvidosas, tendo especial atenção aos alimentos crus ou mal lavados. Leva contigo os medicamentos habituais e um pequeno kit de primeiros socorros.
A ALTITUDE
A Altitude e tudo o que daí advém, é o maior desafio que pode surpreender quem chega ao Peru e que não aparece nas fotografias.
Cusco está a cerca de 3.400 metros de altitude e o Lago Titicaca ultrapassa os 3.800 metros. Para quem vem do nível do mar, não é uma diferença pequena: a essa altitude existe menos oxigénio disponível e o organismo precisa de tempo para se adaptar.
O chamado “mal de altitude” não escolhe pessoas pouco preparadas fisicamente. Pode acontecer a qualquer pessoa, mesmo saudável e habituada a fazer exercício, e não é possível prever com segurança quem terá sintomas. O melhor indicador é a forma como o próprio organismo reagiu anteriormente a altitudes semelhantes. Pessoas com determinadas doenças cardíacas ou pulmonares, problemas respiratórios, apneia do sono ou baixos níveis de oxigénio devem falar com o médico antes de viajarem para grandes altitudes.
Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, tonturas, cansaço fora do normal, náuseas ou vómitos, perda de apetite e dificuldade em dormir. Podem surgir algumas horas depois da chegada, sobretudo durante a primeira noite, e muitas vezes parecem apenas uma indisposição ou uma noite mal dormida. No entanto, depois de uma subida rápida, devem ser levados a sério. Nos casos ligeiros, costumam melhorar em 12 a 48 horas, desde que não se continue a subir e se dê tempo ao organismo para se adaptar.
Por isso, o melhor remédio começa no próprio roteiro. Sempre que possível, evita passar diretamente do nível do mar para uma altitude superior a 2.750 metros num único dia. Acima dos 3.000 metros, a recomendação geral é não aumentar a altitude onde dormimos mais de cerca de 500 metros por dia, reservando um dia de adaptação por cada 1.000 metros adicionais. Na prática, significa subir devagar, quando o roteiro permitir. Chegar primeiro a uma zona de altitude intermédia pode dar ao corpo tempo para começar a adaptar-se. Outra estratégia é visitar durante o dia locais mais altos e regressar para dormir a uma altitude inferior.
Nos primeiros dias, vai com calma. Nas primeiras 24 a 48 horas, reduz o esforço físico, descansa e evita exercício intenso e álcool. Bebe água normalmente, mas não acredites no mito de que beber litros e litros de água evita o mal de altitude: a hidratação ajuda, mas não substitui a aclimatação. Também não te assustes se dormires pior acima dos 2.700 metros, pois alterações da respiração durante o sono são frequentes.
Se começares a sentir-te mal, a regra é simples: não continues a subir. Se os sintomas forem ligeiros, para, descansa e permanece na mesma altitude até melhorares. Se estiveres a piorar, desce. Uma descida de apenas algumas centenas de metros pode fazer uma diferença significativa.
O nosso guia na Bolívia contou-nos um caso em que teve de transportar de urgência um turista durante a noite, durante cerca de 3 horas, por um caminho de terra batida e de sal, até aproximadamente aos 2.400 metros de altitude — uma descida de mais de 1.000 metros. É um exemplo extremo, mas demonstra bem como a altitude pode exigir decisões rápidas.
Confusão, alteração do estado mental, dificuldade em caminhar ou perda de coordenação são sinais de emergência. Também é urgente procurar ajuda perante falta de ar em repouso, especialmente se estiveres a piorar rapidamente. Nestes casos, não esperes que passe: é necessário descer para uma altitude inferior e procurar assistência médica imediatamente.
Existe medicação que pode ajudar. A acetazolamida é utilizada em determinadas situações para prevenir ou reduzir o risco de doença aguda da montanha, mas não é uma licença para subir rapidamente. A necessidade de medicação depende do percurso, da velocidade da subida, do historial de cada pessoa e das suas condições de saúde. Se o teu roteiro incluir uma subida rápida para grandes altitudes, fala com um médico ou com uma consulta de medicina do viajante antes de partir.
O conselho que te podemos dar: Não tenhas medo da altitude. Respeita-a. Escolhe o roteiro pensando também no tempo de adaptação, faz os primeiros dias com calma e está atento aos sinais do teu corpo.



DINHEIRO, CARTÕES E LEVANTAMENTOS
A moeda é o sol peruano (PEN). Os cartões são amplamente utilizados em hotéis, restaurantes e estabelecimentos turísticos, mas o dinheiro físico continua indispensável para pequenas compras, mercados, transportes e zonas menos turísticas. Existem caixas automáticas nas principais cidades.
Viajar com cartão é perfeitamente possível; viajar apenas com cartão não é boa ideia.
Ter dois cartões diferentes e algum dinheiro vivo separado é uma precaução simples que pode evitar problemas.
Se quer saber mais dicas e truques sobre como comprar viagens mais caras com o seu orçamento, veja como COMPRAR VIAGENS MAIS CARAS SEM DESORGANIZAR O ORÇAMENTO
QUANTO CUSTA VIAJAR PELO PERU DURANTE 14 DIAS
Depende muito do estilo de viagem, da época do ano e das experiências escolhidas. No nosso caso, guardámos o orçamento da viagem que fizemos em 2019 e podemos, por isso, mostrar valores reais como referência.
Alojamento
O alojamento foi uma das despesas mais fáceis de controlar. Ficámos sobretudo em quartos duplos, simples e bem localizados, com pequeno-almoço incluído em várias estadias.
Para uma viagem deste género, o alojamento económico pode representar uma parcela relativamente pequena do orçamento, embora cidades como Cusco e Águas Calientes possam encarecer a média.
Transportes
Percorremos grandes distâncias e combinámos voos domésticos, autocarros, comboios, barcos e transferes. Os transportes acabaram por representar uma das maiores despesas da viagem.
O percurso até Machu Picchu, por exemplo, envolve comboio até Águas Calientes e autocarro para subir a montanha, enquanto a Amazónia implica voo e deslocação de canoa pelo Rio Madre de Dios.
Excursões e experiências
Foi aqui que gastámos mais. O nosso roteiro combina algumas experiências que consideramos essenciais numa primeira viagem ao Peru:
Paracas e Ilhas Ballestas . Huacachina . Machu Picchu · Amazónia · Moray e Maras · Canyon do Colca · Lago Titicaca · Ilhas Palomino
São experiências muito diferentes entre si e, naturalmente, têm preços bastante distintos. Se estiveres a preparar um orçamento para viajar pelo Peru, aconselhamos a reservar uma margem significativa para esta categoria.
Alimentação
A alimentação foi uma despesa relativamente fácil de adaptar. Optámos maioritariamente por refeições simples e restaurantes locais, utilizando no nosso planeamento uma referência de 15 € por pessoa/dia. É possível gastar menos, mas também aumentar bastante este valor escolhendo restaurantes turísticos ou de gama superior.
Entradas e pequenos gastos
Museus, monumentos, reservas naturais e outras atrações foram somando pequenas despesas ao longo da viagem. No nosso caso, tiveram um peso bastante inferior ao dos transportes e das excursões.
Na nossa viagem de 2019, gastámos cerca de 1.800 € por pessoa na componente peruana, incluindo alojamento, transportes, transfers, entradas, atividades e alimentação. Os valores são históricos e servem apenas como referência.

ELETRICIDADE
O Peru utiliza, de forma geral, 220 V / 60 Hz. Arequipa é tradicionalmente indicada como uma exceção, com frequência de 50 Hz. Vale a pena verificar os carregadores e levar um adaptador adequado.
INTERNET
Manteres-te ligado no Peru é relativamente fácil. Para quem vai passar bastante tempo fora das cidades, um cartão SIM local com dados ou um eSIM pode ser uma boa opção, sobretudo para utilizar mapas, reservas, WhatsApp e aplicações de transporte sem depender de Wi-Fi. Entre as principais operadoras peruanas encontram-se Claro, Bitel, Entel e Movistar, com diferentes opções de cartões pré-pagos e pacotes de dados. A cobertura, no entanto, pode variar bastante de uma região para outra, especialmente em zonas rurais e de montanha.
Outra alternativa muito prática é viajar com um eSIM, como os disponibilizados pela Holafly ou Airalo, desde que o teu telemóvel seja compatível com eSIM. Esta opção permite chegar ao Peru já com internet móvel, sem necessidade de procurar uma loja para comprar um cartão físico.
Nos hotéis, cafés e restaurantes das principais cidades encontrarás frequentemente Wi-Fi gratuito, mas é aconselhável não depender exclusivamente dele, sobretudo quando estiveres a viajar entre cidades, a utilizar mapas ou a explorar zonas mais remotas.
Dicas: se escolheres um SIM local, leva o passaporte, pois existem planos destinados especificamente a turistas estrangeiros. A Bitel, por exemplo, disponibiliza planos pré-pagos para estrangeiros com passaporte.

TRANSPORTES
O Peru não é um país onde devemos olhar apenas para os quilómetros.
A geografia faz com que uma viagem de algumas centenas de quilómetros possa ocupar muitas horas. Para grandes deslocações, o avião pode poupar um dia inteiro; noutros percursos, o autocarro permite conhecer melhor o território; e em determinadas zonas, o comboio faz parte da própria experiência.
E há outra regra prática: usar táxis oficiais ou serviços recomendados e evitar táxis não identificados, sobretudo à noite.
Alugar carro: sim ou não?
É possível alugar carro, e um visitante pode conduzir no Peru com a sua carta de condução estrangeira válida durante os primeiros seis meses, segundo o Ministério dos Transportes peruano. Mas isso não significa que alugar carro seja a melhor maneira de conhecer o Peru.
Para um roteiro clássico — Lima, Arequipa, Cusco, Vale Sagrado, Machu Picchu, Puno — nós recomendar transportes organizados, avião, comboio e excursões. As grandes cidades têm trânsito intenso e conduzir nos Andes pode ser bastante diferente da experiência de conduzir em Portugal. O carro começa a fazer mais sentido em determinados roteiros específicos, sobretudo quando se pretende liberdade para explorar regiões menos convencionais.
PERU HOP — viajar pelo Peru de forma flexível
O Peru Hop é uma rede de autocarros turísticos criada para facilitar as viagens entre os principais destinos turísticos do Peru. Em vez de comprares separadamente vários bilhetes de autocarro e organizares todos os transportes entre cidades, escolhes um percurso (passo) e vais viajando ao longo desse itinerário.
O sistema funciona no estilo “Hop On, Hop Off”: podes sair do autocarro num dos destinos incluídos no teu percurso, ficar nessa cidade o tempo que quiseres e, quando estiveres pronta para continuar, apanhar um dos próximos autocarros disponíveis dentro do teu passe. Também podes simplesmente seguir o itinerário recomendado pelo Peru Hop.
Como funciona?
Ao reservar, escolhes um dos percursos disponíveis e a duração adequada à tua viagem. O Peru Hop tem rotas que ligam destinos como Lima, Paracas, Huacachina, Nazca, Arequipa, Puno e Cusco, existindo também percursos que continuam até à Bolívia.
Por exemplo, num percurso pelo sul do Peru, poderás fazer:
Lima → Paracas → Huacachina → Nazca → Arequipa → Puno → Cusco
Não tens necessariamente de permanecer o mesmo número de noites em cada local. A grande vantagem é precisamente a flexibilidade: podes decidir onde queres ficar mais tempo e onde preferes fazer apenas uma paragem curta.
O Peru Hop não é apenas um serviço de transporte entre duas cidades. Algumas paragens incluem visitas ou atividades, e a empresa organiza determinadas excursões incluídas no preço do passe. Por exemplo, em Paracas pode estar incluída uma visita à Reserva Nacional; em Huacachina existe uma visita a uma quinta de produção de pisco e, em Nazca, é possível utilizar o serviço para visitar o miradouro das Linhas de Nazca.
Isto faz com que o próprio percurso entre cidades seja também uma parte da experiência de viagem.
Como se utiliza na prática?
- Escolhes o passe que corresponde ao percurso que queres fazer.
- Reservas as datas e o percurso.
- Recebes as indicações dos horários e locais de partida.
- Chegas ao ponto de encontro indicado e embarcas no Peru Hop.
- Quando chegas a uma cidade, ficas o número de noites que quiseres dentro das condições do teu passe.
- Quando estiveres pronta para continuar, reservas/confirmas a próxima viagem e apanhas o autocarro seguinte.
A empresa disponibiliza também um itinerário recomendado, pensado para permitir conhecer os principais pontos turísticos num ritmo equilibrado.
Porque pode ser interessante?
Para quem visita o Peru pela primeira vez, o Peru Hop pode ser uma alternativa muito cómoda porque simplifica bastante a logística. Em vez de pesquisar individualmente cada ligação entre cidades, tens um percurso organizado e uma rede de transporte pensada especificamente para viajantes.
É particularmente interessante para quem pretende fazer um percurso pelo sul do Peru, passando por vários destinos turísticos antes de chegar a Cusco e Machu Picchu.
Importante: o Peru Hop não substitui todos os transportes necessários durante a viagem. Por exemplo, para chegar a Machu Picchu será necessário organizar separadamente o transporte correspondente a partir da região de Cusco/Vale Sagrado. Este serviço combina transporte + paragens turísticas + flexibilidade, permitindo viajar pelo Peru sem ter de organizar individualmente cada etapa da viagem.

SEGURANÇA
Evita tanto o alarmismo como o “não há problema nenhum”.
O Peru exige bom senso de viajante: atenção aos pertences, cuidado com o telemóvel em zonas movimentadas, dinheiro distribuído por vários locais e preferência por transportes oficiais. O turismo peruano recomenda também evitar grandes quantidades de dinheiro e câmbios na rua.
O QUE LEVAR NA MALA
O Peru castiga a ideia de “uma mala para um clima”.
Podemos ter calor em Lima, frio intenso nos Andes e condições completamente diferentes na Amazónia durante a mesma viagem. A solução não é levar metade do armário: é levar camadas, bom calçado, proteção solar e roupa adequada ao percurso.
Se queres saber mais dicas e truques sobre como organizar a sua bagagem, lê o nosso GUIA PRÁTICO DE COMO FAZER A SUA MALA DE VIAGEM

COSTUMES E ETIQUETA
O Peru é um país de forte tradição familiar, religiosa e comunitária. Um comportamento respeitador é geralmente mais importante do que conhecer dezenas de regras.
Cumprimentar, pedir licença, agradecer, respeitar os espaços religiosos e arqueológicos e perguntar antes de fotografar pessoas — sobretudo em comunidades tradicionais — são pequenos gestos que fazem toda a diferença.
Não confundir uma cultura tradicional com uma atração turística.
As pessoas que encontramos nos Andes não estão ali para representar o Peru para nós; estão simplesmente a viver.
Gorjetas
Não existe uma regra única. A própria informação turística oficial refere que a gorjeta depende da satisfação com o serviço e indica que cerca de 10% pode ser considerado adequado.
VISITAR DIA A DIA – O NOSSO ROTEIRO PARA 14 DIAS

CONSULTA O MAPA INTERATIVO
TABELA – ROTEIRO POR DIAS
Este é o percurso que fizemos durante os nossos 14 dias pelo Peru, desde Lima, passando por Paracas, Huacachina, Cusco, Machu Picchu, Amazónia, Arequipa e Lago Titicaca, até ao regresso a Lima.

ROTEIRO DETALHADO: 14 dias no Peru
Dia 1 – Lima
A viagem começa em Lisboa, mas o verdadeiro destino ainda está longe. Depois de uma escala em Toronto, chegamos finalmente a Lima, já de madrugada. Para uma primeira viagem ao Peru, Lima é normalmente a porta de entrada natural no País… [Ver o Dia 1 completo]

Dia 2 – Lima / Paracas
Saímos cedo de Lima em direção a Paracas, seguindo pela costa peruana. Como viajámos com a Peru Hop, o percurso incluiu uma paragem em Chincha, na Hacienda San José, uma antiga propriedade que guarda uma parte menos conhecida da história do Peru. Por baixo da hacienda existe uma rede de túneis subterrâneos, associada ao período em que… [Ver o Dia 2 completo]
Dia 3 – Paracas / Huacachina / Lima
O dia começa cedo, junto ao Pacífico, com a saída de barco em direção às Ilhas Ballestas. Este pequeno arquipélago, situado ao largo da costa de Paracas, é conhecido pela grande quantidade de vida marinha e aves… observar leões-marinhos, pinguins de Humboldt,…[Ver o Dia 3 completo]

Dia 4 – Lima / Cusco / Águas Calientes
Deixamos bem cedo a costa peruana e voamos de Lima para Cusco. Voámos sobre a cordilheira dos Andes, com a sensação que o avião iria tocar nas montanhas,… [Ver o Dia 4 completo]

Dia 5 – Águas Calientes / Machu Picchu / Cusco
Há lugares que já conhecemos antes de lá chegar. Vimos tantas fotografias, documentários e imagens que temos a sensação de que já sabemos como são. Machu Picchu é, sem dúvida, um deles… [Ver o Dia 5 completo]

Dia 6 – Cusco / Moray / Maras
Foi neste dia que começámos verdadeiramente a perceber que Cusco é apenas uma das portas de entrada para uma região onde a presença e a engenharia dos Incas continuam muito presentes na paisagem… [Ver o Dia 6 completo]
Dia 7 – Cusco / Puerto Maldonado
Poucas viagens permitem uma mudança de cenário tão grande em tão poucas horas. Deixamos Cusco e voamos para Puerto Maldonado, uma das principais portas de entrada para a Amazónia peruana. A viagem ainda não termina quando o avião aterra… [Ver o Dia 7 completo]

Dia 8 – Amazónia peruana
Se no dia anterior começámos a entrar na Amazónia, este é o dia em que a floresta passa verdadeiramente a ser o cenário da viagem. Depois dos Andes e das paisagens áridas da costa, a Amazónia Peruana parece pertencer a outro país… [Ver o Dia 8 completo]
Dia 9 – Puerto Maldonado / Arequipa
Em poucas horas, passamos do calor húmido, da vegetação densa e dos sons da floresta para um ambiente completamente diferente. Arequipa é conhecida como a “Cidade Branca”, nome que se deve à utilização do sillar… [Ver o Dia 9 completo]

Dia 10 – Arequipa / Cañon del Colca
O despertador toca ainda de madrugada. Saímos cedo de Arequipa em direção ao Cañón del Colca, sobretudo para chegarmos à Cruz del Cóndor nas primeiras horas da manhã… [Ver o Dia 10 completo]
Dia 11 – Arequipa / Puno
Ainda temos algumas horas em Arequipa antes de seguirmos viagem para Puno, mas desta vez o percurso faz parte da própria experiência. Em vez de avião, optámos novamente pela Peru Hop e fizemos a viagem de autocarro através do planalto andino… [Ver o Dia 11 completo]

Dia 12 – Puno / Lago Titicaca /Ilhas Uros / Ilha Tequile
O Lago Titicaca é um daqueles lugares onde a paisagem e a história parecem estar permanentemente ligadas. Situado a mais de 3.800 metros de altitude, é o lago navegável mais alto do mundo e ocupa um lugar importante na… [Ver o Dia 12 completo]
Dia 13 – Puno / Lima
Adeus, Lago Titicaca. O último dia desta etapa da viagem começa cedo e marca a saída do Peru. Deixamos Puno e seguimos em direção à fronteira com a Bolívia, atravessando-a a pé. No entanto, aqui vamos então dizer-vos como seguir viagem para Lima … [Ver o Dia 13 completo]

Dia 14 – Lima / Ilhas Palomino / Lisboa
O melhor ponto de partida é o Centro Histórico, onde a história da cidade está presente praticamente em cada rua. A Plaza Mayor, também conhecida como Plaza de Armas, é o coração desta zona e está rodeada por alguns dos edifícios mais importantes… [Ver o Dia 14 completo]
Se gostaste do nosso artigo, partilha-o com outros viajantes e ajuda-nos a divulgar o nosso trabalho! Obrigado!





