Roteiro pelo Peru
Cusco → Puerto Maldonado → Amazónia

Poucas viagens permitem uma mudança de cenário tão grande em tão poucas horas. Deixamos Cusco logo pela manhã e voamos para Puerto Maldonado, uma das principais portas de entrada para a Amazónia peruana.
A viagem ainda não termina quando o avião aterra. A partir de Puerto Maldonado, deixamos o transporte terrestre e seguimos de canoa pelo Rio Madre de Dios, um dos principais rios da região e afluente do Amazonas. Durante cerca de uma hora e meia navegamos rio acima, até chegarmos à estação de investigação onde ficaríamos alojados, já no interior da floresta.



A partir daqui, a realidade muda completamente. Deixamos para trás estradas, trânsito, edifícios e o movimento de uma cidade e passamos a deslocar-nos essencialmente pelo rio e por caminhos no meio da floresta. É quase como começar uma segunda viagem dentro da mesma viagem.
Chegámos ainda com luz do dia, mas foi depois do anoitecer que tivemos o primeiro contacto com a Amazónia em estado mais selvagem. Saímos novamente de barco para procurar animais que se tornam mais ativos depois de escurecer. A noite estava praticamente sem luar e, no meio do Rio Madre de Dios, a escuridão era quase total. Com os motores desligados, ficávamos em silêncio, atentos aos sons da floresta e às margens do rio, enquanto o guia procurava sinais de vida.

Foi nessa saída que conseguimos observar caimões, mas também alguns animais nas margens e uma floresta que, à noite, parece completamente diferente daquela que tínhamos acabado de conhecer durante o dia.
Lembro-me particularmente da sensação de estar ali. Foi provavelmente o lugar onde me senti mais longe de casa em toda a viagem. Não havia estradas, iluminação, edifícios ou qualquer referência familiar — apenas o rio, a floresta e os sons dos animais. Havia, naturalmente, um certo sentimento de vulnerabilidade, mas também a sensação de estar num lugar muito pouco alterado pela presença humana. E talvez seja precisamente essa combinação que torna a Amazónia uma experiência tão diferente de tudo o que tínhamos vivido até então.





Dica: se estiveres a planear uma experiência na Amazónia, considera ficar pelo menos duas ou três noites na floresta. A maior parte dos alojamentos e estações de investigação organiza as atividades de forma a aproveitar diferentes períodos do dia, e quanto mais tempo permaneceres na região, maiores serão as oportunidades de observar espécies diferentes.
Alternativa: Puerto Maldonado é uma das principais portas de entrada para a Amazónia peruana, mas não é a única. Iquitos, no norte do país, oferece uma experiência amazónica diferente e pode ser uma opção interessante para quem dispõe de mais tempo para explorar esta região.