Chipre – Dia 7

Road Trip pelo Chipre

Limassol → Chipre do Norte → Ayia Napa

Igreja de São Jorge dos Gregos, Famagusta (destruída pelo cerco de 1571 e pelo terramoto de 1735)

A caminho do Chipre do Norte

Depois de deixarmos Limassol, o nosso roteiro tomava uma direção diferente. Pela primeira vez nesta viagem, íamos atravessar para o norte do Chipre, em direção a Famagusta.

Saindo desde aí em direção a Famagusta, seguimos para norte até à zona de Deryneia, onde se encontra o posto de passagem Deryneia/Derinya Crossing Point. É um dos pontos autorizados para atravessar a linha que divide, desde 1974, as zonas sob administração das duas partes da ilha.

Famagusta, uma cidade entre dois tempos

A partir daqui, a paisagem muda de forma bastante evidente. Ao longo da estrada começam a surgir casas e edifícios cercados por vedações, alguns aparentemente abandonados, e zonas de acesso condicionado. São áreas que ficaram separadas na sequência dos acontecimentos de 1974. Entre elas encontra-se Varosha, a antiga zona turística de Famagusta, que há várias décadas permanece cercada e sem acesso público. A própria documentação das Nações Unidas refere a existência da área cercada de Varosha e as restrições ao acesso. O mais impressionante é o contraste entre este cenário, ali na berma da estrada e a Famagusta que se encontra poucos quilómetros mais à frente.

Chegámos finalmente a Famagusta, uma cidade com uma história extraordinária e que, durante séculos, foi um dos grandes portos do Mediterrâneo. A sua localização estratégica fez dela um importante centro comercial e marítimo, sobretudo durante a época medieval.

Deparamo-nos com uma cidade moderna, com novos edifícios, comércio, restaurantes e bastante movimento, lado a lado com vestígios de uma história muito mais antiga, de uma cidade medieval, muralhada, mas marcadamente arruinada por bombardeamentos e por uma guerra violenta bastante mais recente.

As enormes fortificações venezianas, as igrejas medievais e os edifícios históricos revelam a importância que a cidade chegou a ter. Entre os lugares que visitámos encontramos a antiga Catedral de São Nicolau, hoje conhecida como Mesquita Lala Mustafa Pasha e as imponentes muralhas que continuam a envolver a cidade antiga.

A imagem de edifícios abandonados e zonas cercadas tornou-se um dos símbolos mais conhecidos da divisão do Chipre. E foi precisamente esta mistura entre uma cidade medieval magnífica e uma realidade política ainda tão visível que mais nos surpreendeu.

Salamis: ruínas junto ao Mediterrâneo

Depois de Famagusta seguimos para Salamis, um dos mais importantes sítios arqueológicos do norte do Chipre.

As ruínas da antiga cidade estendem-se junto à costa e permitem perceber a dimensão que este centro urbano teve ao longo da Antiguidade. Entre os vestígios encontram-se estruturas de época romana e bizantina, incluindo o ginásio, as termas, o teatro ou as antigas basílicas.

Esta foi uma visita completamente diferente de Famagusta.

Aqui, o cenário abre-se para o Mediterrâneo e caminhar entre as ruínas, com o mar tão próximo, cria uma sensação quase cinematográfica. É daqueles lugares em que a paisagem e a história parecem fazer parte da mesma experiência e na qual o silêncio ajuda a idealizar um passado distante, não fosse a Ana ter sido atacada por um grupo de moscardos daqueles com ferrão, que a deixaram toda picada…

Do passado para Ayia Napa

Depois de Salamis, iniciámos o regresso para sul.

Deixávamos para trás uma das zonas mais complexas e historicamente marcantes da ilha e aproximávamo-nos novamente da República de Chipre e de Ayia Napa, onde iríamos pernoitar.

Depois de muralhas, ruínas e uma cidade marcada pela divisão da ilha, começávamos a aproximar-nos de uma região conhecida pelo mar azul-turquesa, praias de areia clara e um ambiente balnear.

E era precisamente essa, a outra face do Chipre que iríamos descobrir no dia seguinte.

Ayia Napa
Dois dedos de História…
Famagusta foi durante séculos um dos principais portos do Chipre e atingiu grande prosperidade sobretudo durante o período medieval. A cidade conserva ainda hoje importantes vestígios dos períodos Lusignan, veneziano e otomano. Mas a história de Famagusta não terminou com as muralhas medievais. Em 1974, a cidade foi tomada durante a segunda fase da invasão turca do Chipre e milhares de habitantes foram deslocados. A zona de Varosha, então uma importante área turística, ficou abandonada e cercada durante décadas. É precisamente esta sobreposição de épocas — a cidade medieval, a herança veneziana e a realidade criada pela divisão de 1974 — que torna Famagusta um dos lugares mais singulares que visitámos no Chipre.

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