Roteiro pelo Peru
Lima

Depois de tantos dias a percorrer o Peru, Bolívia e Chile, regressamos finalmente a Lima. Tínhamos deixado a capital do Peru para o final da viagem precisamente para podermos conhecê-la com mais calma e, olhando agora para trás, foi uma boa decisão.
Lima tem um problema injusto: para muitos viajantes é apenas o sítio onde o avião aterra antes de a verdadeira aventura começar, mas quando regressámos percebemos que Lima merece muito mais do que algumas horas entre dois voos.
Se tiveres um ou dois dias disponíveis, há muito para descobrir.






O que visitar em Lima
O melhor ponto de partida é o Centro Histórico, onde a história da cidade está presente praticamente em cada rua. A Plaza Mayor, também conhecida como Plaza de Armas, é o coração desta zona e está rodeada por alguns dos edifícios mais importantes de Lima, como a Catedral, o Palácio do Governo e o Palácio Municipal. A praça foi o local escolhido para a fundação da cidade em 1535 e continua a ser um dos melhores pontos para começar a perceber a importância histórica da capital peruana.
A partir daqui, vale a pena simplesmente caminhar pelo centro e observar a arquitetura colonial e republicana. Entre os edifícios e monumentos que podes visitar estão a Catedral de Lima, a Casa de Aliaga e o Convento e Basílica de São Francisco, cuja visita inclui as famosas catacumbas subterrâneas.
Se gostas de história, há ainda uma Lima muito anterior à chegada dos espanhóis. Um dos melhores exemplos é a Huaca Pucllana, em Miraflores, uma antiga construção pré-colombiana feita em adobe e areia que se encontra praticamente rodeada pela cidade moderna. É uma daquelas imagens que ajudam a perceber a quantidade de camadas históricas que existem em Lima: uma cidade moderna construída sobre uma história que começou muitos séculos antes da colonização espanhola.

Depois de conhecer o centro histórico, segue para Miraflores, uma das zonas mais agradáveis para passear. O Malecón de Miraflores acompanha as falésias sobre o Pacífico e permite caminhar ou andar de bicicleta com o oceano sempre presente. O Parque do Amor é uma das paragens mais conhecidas, mas o melhor do passeio é mesmo percorrer a marginal sem grande pressa, sobretudo ao final da tarde.
Miraflores é também uma boa zona para comer, fazer compras ou simplesmente parar para tomar um café. E, se quiseres conhecer melhor a história e a arqueologia do Peru, podes acrescentar o Museu Larco, que reúne uma importante coleção de arte pré-colombiana e é frequentemente incluído nos roteiros culturais de Lima.
Depois segue para Barranco, provavelmente o bairro que mais gostámos de explorar. Aqui Lima muda novamente de personalidade. É um bairro mais descontraído e boémio, com casas antigas, galerias, arte urbana, cafés, restaurantes e pequenas lojas. O percurso pelo Puente de los Suspiros, pela praça e pela Bajada de Baños, que desce em direção ao Pacífico, é uma excelente forma de passar uma tarde.
Se ficares até ao final do dia, melhor ainda. O pôr do sol junto ao Pacífico é uma das melhores formas de terminar um dia em Lima, e Barranco tem vários restaurantes e bares onde podes ficar depois do passeio.
Se tiveres um segundo dia, podes ainda explorar alguns dos museus da cidade, visitar com mais calma a Huaca Pucllana ou o Museu Larco, fazer um passeio gastronómico ou conhecer o Circuito Mágico da Água, no Parque de la Reserva, especialmente interessante ao final do dia, quando acontecem os espetáculos de luz, música e água.

E depois há a gastronomia
Há ainda uma razão muito importante para não passar por Lima à pressa: a comida.
A gastronomia peruana é uma das grandes experiências de uma viagem ao país e Lima é um dos melhores lugares para a descobrir. A cozinha da capital resulta do encontro de diferentes culturas e tradições — indígenas, espanholas, africanas, chinesas e japonesas — e isso percebe-se na enorme variedade de pratos que encontramos.
Aqui podes experimentar desde o ceviche, preparado com peixe fresco e lima, até ao lomo saltado, às causas, aos anticuchos ou ao inevitável pisco sour. Também é possível encontrar restaurantes de cozinha peruana contemporânea e experiências gastronómicas que combinam tradição com técnicas modernas.
Por isso, se tiveres apenas um dia em Lima, eu tentaria pelo menos combinar Centro Histórico + Miraflores + Barranco e reservaria tempo para uma boa refeição. Se tiveres dois dias, já consegues acrescentar museus, Huaca Pucllana, uma experiência gastronómica ou simplesmente explorar a cidade com outro ritmo.
Nadar com leões-marinhos nas Ilhas Palomino
Nós, porém, tínhamos uma última experiência marcada antes de terminar a viagem.
Uma das experiências mais incríveis que fizemos em Lima foi o passeio às Ilhas Palomino, um pequeno arquipélago ao largo da costa da cidade onde vive uma colónia de cerca de 8.000 leões-marinhos.
Depois de termos observado animais à distância nas Ilhas Ballestas e na Amazónia, aqui tivemos a oportunidade de fazer algo completamente diferente: entrar no Pacífico e nadar junto aos leões-marinhos no seu habitat natural.
Foi uma das experiências mais especiais de toda a viagem. Estar dentro de água e ver estes animais a nadar à nossa volta, aproximando-se por curiosidade e desaparecendo novamente, é uma coisa difícil de explicar e ainda mais difícil de esquecer.
Se quiseres saber todos os detalhes desta experiência — como foi o passeio, o que esperar e como o organizámos — escrevi um artigo dedicado exclusivamente às Ilhas Palomino:
👉 Ilhas Palomino — nadar com leões-marinhos no Peru


Sugestão: se estiveres a organizar este roteiro e tiveres possibilidade de acrescentar mais um dia, acrescenta-o a Lima. Depois de um percurso tão intenso como este, dois dias permitem conhecer a cidade com muito mais calma e incluir uma experiência como as Ilhas Palomino sem teres de sacrificar os principais bairros e monumentos.
No nosso caso, este foi o último dia da viagem. Depois do passeio e de aproveitarmos as últimas horas em Lima, regressámos ao hotel, preparámos as malas e seguimos para o aeroporto.
O nosso voo de regresso a Portugal estava marcado para a madrugada do dia seguinte.

E assim terminava uma viagem que, em apenas 14 dias, nos levou do Pacífico ao deserto, dos Andes à Amazónia e do Lago Titicaca à capital peruana.
Quando começámos esta viagem, sabíamos que o Peru era um país de paisagens muito diferentes. Mas só depois de o atravessarmos percebemos verdadeiramente a dimensão dessa diversidade.