Dia 8

Roteiro pelo Peru

Amazónia (Puerto Maldonado)

Pôr-do-Sol na Amazónia

Se no dia anterior começámos a entrar na Amazónia, este é o dia em que a floresta passa verdadeiramente a ser o cenário da viagem. Depois dos Andes e das paisagens áridas da costa, a Amazónia Peruana parece pertencer a outro país.

Começámos cedo e o primeiro encontro com a vida selvagem não demorou. Um macaco vermelho, no alto de uma árvore de copa enorme, foi o primeiro animal que avistámos. A partir daí, o dia foi uma sucessão de experiências diferentes: subimos às plataformas suspensas no dossel da floresta para observar as aves que sobrevoam as copas, aproximámo-nos de tarântulas para as vermos sair dos seus ninhos no chão e tivemos ainda de mudar de caminho para evitar um verdadeiro batalhão de formigas.

Fizemos também uma caminhada de cerca de 5 km pela selva, acompanhados apenas pelo nosso guia. É nestes percursos que percebemos como é difícil observar a floresta sem alguém que conheça realmente o seu funcionamento. Muitos dos animais estão perfeitamente camuflados e, sem o olhar treinado do guia, provavelmente passaríamos por eles sem sequer perceber que estavam ali.

Um dos momentos mais interessantes do dia foi a navegação de canoa pelo Lago Sandoval, no interior da Reserva Nacional Tambopata. Rodeado pela floresta, o lago é um dos locais privilegiados da região para observar animais. Entre palmeiras e árvores enormes fomos encontrando macacos, araras, caimões e outras espécies, sempre com a expectativa de que pudesse surgir mais algum animal. Existe ainda a possibilidade de avistar lontras gigantes, embora, como acontece com grande parte da vida selvagem, nunca haja garantias.

Ao cair da noite, regressámos à floresta. E rapidamente percebemos que a Amazónia noturna é outra experiência. Os sons tornam-se muito mais presentes, a visibilidade reduz-se praticamente a zero e mesmo um percurso que durante o dia parece simples ganha outra dimensão.

Foi durante uma dessas caminhadas que reparámos na enorme catana que o nosso guia levava consigo. Achámos graça e perguntámos-lhe porquê. A resposta foi bastante mais séria do que estávamos à espera: precisava de estar preparado caso aparecesse algum puma. Não seria para o matar, explicou-nos, mas para tentar afastá-lo, se fosse necessário. Foi o suficiente para nos lembrarmos de que estávamos realmente no meio da floresta e não num simples passeio noturno.

E o que existe à volta das cabanas depois de escurecer? Bem… bastante mais do que gostaríamos de encontrar pelo caminho. Sapos, pirilampos, inúmeros insetos, larvas, cobras e, numa das nossas caminhadas, até uma cobra-coral, que quase me fez tropeçar na própria vereda.

É precisamente esta imprevisibilidade que torna a experiência na Amazónia tão diferente. Não se trata apenas de ir à procura de determinados animais; trata-se de estar num ecossistema onde a floresta está constantemente a acontecer à nossa volta, mesmo quando não conseguimos ver o que está a produzir cada som ou movimento.

Dica: se gostas de natureza e de observar animais, vale muito a pena reservar pelo menos dois ou três dias para a Amazónia. As atividades são bastante diferentes entre si — caminhadas, passeios de canoa, observação no dossel e saídas nocturnas — e quanto mais tempo permaneceres na floresta, maiores serão as oportunidades de encontrar diferentes espécies. Leva roupa leve mas que cubra braços e pernas, repelente de insetos e calçado fechado e adequado para caminhada.


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